Vês aquele homem eu passa?
Aquele que se consola na praça?
Cigarros, cachaça e entorpecentes
São esses seus irmãos em vida doente
Quem passa não enxerga
Para a solidão a alma se entrega
O tempo corre, a vida morre...
Nunca foi visto ou querido
Será que ainda lhe resta um pedido?
Morrer e ser lembrado
Chorar, sofrer e ser perdoado
E o homem se abandona na praça...
Só quem lhe consola é a desgraça
Mãos grossas, sujas, calejadas
Roupas velhas, imundas e rasgadas
O que foi sua vida? Será que viveu?
O que importa agora, tudo morreu
O homem chora na praça...
Crianças passam e fazem pirraça
Raízes tomam conta de seu corpo
O mundo agora já lhe parece torto
Ajudas não haverá
O que há de esperar?
E o homem morre como indigente...
Tomado por raízes como serpentes
No lugar agora nasce uma flor
Seria ela a prova de sua dor?
Vem alguém e leva com graça
A única lembrança do homem da praça
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