terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Leio versos de um poeta suicida
Leio versos regados a álcool, a ópio
Sigo palavras cuspidas ao acaso
Ou cintiladas na mais perfeita comunhão

Um poeta suicida invadiu meus pensamentos
Tão fugaz, mas insisto em segui-lo
Estes versos cobertos de melancolia
Estas estrofes me levam a brevidade

Todos os poetas possuem algo de suicida
Todas as noites estão ligadas ao declínio
Esta sensação do passageiro, da dualidade
Da eterna marca do não ser

Talvez eu também seja um suicida
E no íntimo dos pensamentos
Procuro a morte noturna
Para livrar-me deste incomodo que é viver sem saber
Sem saber o que ocorre, o que transcorre
Mas ao vir do sol, ao iluminar-me
Nada serei além de humano
Ao encontro da ressurreição matutina

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A eterna marca da vontade do gosto da solidão…
Ter a vida a como uma chaga que sangra e desanda….
Ser o outro dentro de si , amargo e esquecido…
Tão amargo quanto si próprio…

Talvez o limite seja o breve que nunca termina…
Talvez a razão seja o que sobra da loucura…
Assim como o sonho é fantasia….

Ponteiros são flechas que marcam o tempo….
Nuvens passam, impiedosas e contínuas…
Levam o dia, trazem a noite, eterno ciclo..



Ninguém tem razão, nada faz sentido. O único sentido e vivenciar o que há de proveitoso.
Cair no gosto do mundo nada fará além de nos tornar comuns, assim, logo estaremos empilhados no mundo de todos….
São desvaneios e desventuras que nos fazem pensar.
Fechar os olhos nada nos mostrará além do mundo dos sonhos.
A solidão, esta companhia que há muito busquei, hoje parece evitar-me.
O que dizer? Que ela vem, mas parte quando sente que não há espaço para ela… E se nem nós não sentimos é a marca da indiferença.
Giram os astros, às horas, a ciranda, gira nossas cabeças e tudo nos desorienta.
Confusão, loucura, acaso…. Tudo para nos vermos passar, passar como pássaros.

Se nasce sozinho de um ventre molhado, morremos sozinhos perdidos em terra seca…
Mas não ignoramos o intervalo….amar, brigar, querer, sonhar, desistir, reviver…
Amor, delírio coletivo
Tão falso e assim repito
Amar, amar, amar…
Amar o que vier, seja homem ou mulher
Amar o dia que nasce? Disfarce!
Amar a lua que brilha? Mentira!
(então me transponho às pinceladas de Van Gogh)

Amor, delírio coletivo
Flui de boca em boca, mas a verdade é oca
O que dizer da razão que é pouca?
Medieval ou atual
Habita nos homens como uma fé
Sempre aceitando o que vier

Amor, delírio coletivo
Amor…corpos suados nas esquinas
Não sofro de amor, encontrei a vacina?
Como Menotti “amo os danos do mundo”
Pois percebo o quanto tudo é imundo

Amor, delírio coletivo
Ama-se a carne ao saborear-se na luxúria
Ama-se o novo coberto por injúrias
Ama-se o verbo, na loucura de conjugar
(…)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Paro, um momento, não é raro
Paro estática aos danos do mundo
Levo nas costas a petitência de um corcunda
Não de Notre-dame, mas de meu ser
Estendo as mão e nada tateio além do ar
Nada além de meus frágeis braços a bailar
Nada posso, nada ouço, nada quero
Sinto o cotidiano como um íntimo abominável
Me possui…mas tento repeli-lo

Caminho pelas ruas em passos largos
Não por pressa, mas em fuga da realidade
Esta, circunscrita em lápides esquecidas
Esta, marcada nos olhos vagos que me fitam

Passam corpos a vagar alegremente
Satisfeitos de suas condições subjulgadas
Escravos das feras, alegram-se com o lodo
Real, real..mas vejo que isso ainda é pouco
Gritam como um porco a dormir neste chiqueiro

Talvez meu caminho seja além mar
Utópico em um épico fascinante
Divida Comédia conquistar o inferno de Dante
Mas nada atraveso além da consciência
Que me afoga, me queima, me arruína…
E me deslumbra neste ideal que me fascina