terça-feira, 26 de julho de 2011

Tantas foram as noitesque passei acompanhada
Delirei em gozos de leituras
Molhei meus dedos para virar uma nova página
Horas a pensar…
Fórmulas e diagramas me tomaram para si
Me perdi nesta ilusão, sabedoria enganadora
Cobri estes versos com gotas de sangue
Transcrevi o presente, ausente na memória
Bebo gotas de suor que escorrem pelas linhas
Linhas do tempo marcadas em minhas mãos
Marquei sem pudor a estrofe mais simplória
E declamei inconsciente esta melodia

Peço que não limpem minhas gotas de sangue
Que já se espalharam a tomar conta de mim
Pois só assim, apenas assim posso criar um novo dia
A música enebria
A música fuzila
O som acalma
O som acorda
A música,o acorde
A música, a melodia
O som traz o dia
O som, sem gravidade
A música, a realidade
Sensações invadem-me e a dimensão é estranha
Essas sensações levam-me, devoram-me…
Bebo o cálice da eternidade, falsa vida
Para embriagar-me em overdoses de sensações
Elas, estranhas, percorrem pelas entranhas
Tenho sensações e envolvida estou a elas
Não transpareçoo meu sentir para afins
Não derramo lágrimas, mas sofro
Essas sensações...
Tomam-me pela alma na fragilidade
Vivo neste mundo e ele vive o meu sentir

Acreditar nas sensações é desmoronar
E desmoronar é a essência de tudo
Na margem de um rio, em algum lugar
Dois corpos amavam-se sem saber
Em castelos de areia viviam suas fantasias
Dois corpos distantes, bastava o querer
Banhavam-se nas orlas ao longo das horas
E nessas horas o rio corria…
Dois corpos distantes, talvez nem existissem
Formavam-se como expectros solitários
Materializados no mais íntimo da noite
Não sabiam se amavam…
Não sabiam se existiam…