quarta-feira, 30 de março de 2011

Guardo em minhas mãos rastros castos de teus dedos
Em meu peito o brilho do fogo que não cessa
Reconstruo tua face a golpes de lembranças
De um momento eterno em que busquei mudanças
Vieste, e contigo a promessa do horizonte
Para onde estendo minhas mãos, inutilmente

És toda poesia que nenhum verso há de moldar
Navios zarparam de meus sonhos
A bordo levaram minhas fantasias
Em vagões guardaram meus amores
Lonje estou, permaneço
Hoje vivo como um naufrágo
Na ilha remota de meu ser

sexta-feira, 4 de março de 2011

No longo verde que me envolve
Escrevo meus versos em folhas
Em silêncio, solidão, monotonia
Penduro mil palavras pelas trilhas
Folhas caem, meus versos vão juntos
Sol, cor, vida e vento
Construo um mundo de elementos
Em solo morto a vida floresce
Sob minha cabeça o sol resplandece
No canto, meu canto de instante
Em melódico prazer, um sopro no ar
Deleito no som, canto palavras
Escrevo meus versos em folhas
Não direi que tua imagem se desfez no horizonte
Nem que busquei em vão pela miragem
Miragem, que fazes tu?
Atormenta-me, tão longe, horizonte findo
Sigo a tua busca, eterna fugitiva
Apanhando-me na ilusão do existir
Eis que sempre vou, te sigo
Na falta de tua serena imagem
Miragem…
Aportam-me sonhos que não tive
Te busco para meus braços castos
Miragem, que no fim tudo apaga
Resta-me apenas o nada
De um paraíso na eterna distância
Venho nesta noite iluminada (de pensamentos)
Escrever-te frases tão soltas
Que de amontoadas, digo-lhe: são meus versos!
Que a estrofe cristalinas me leve a ti
Ou que letras voem pelo seu quarto
E caídas ao chão, sigam em verbo
Nasce o rebento sol do meio dia
Talvez o primogênito de todos os astros
Talvez luz exposta a nossa sorte
Em fogo nasce, brilha, luz e queima
E nas horas seguidas me banha em calor
Põe-se o sol, rebento a deixar-me
Tão alvo em seu louvor a adormecer
Em traços de luz no longo horizonte
Sumindo, como se não mais viesse
A folha fria pendura no ar
Vida livre, borboleta despencada
Segue ao solo, mar de morte reciclada
Contraste, um brilho difuso de esmeralda
Um breve sopro no ar
Retiro meus versos do vento
Sussurram aos meus ouvidos
Insistentes a me contar segredos
Calmos como a chuva da brisa
Ou traiçoeiros em frente as tempestades
Em suspiro, aspiro versos ao vento
Guardo em minhas mãos rastros castos de teus dedos
Em meu peito o brilho do fogo que não cessa
Reconstruo tua face a golpes de lembranças
De um momento eterno em que busquei mudanças
Vieste, e contigo a promessa do horizonte
Para onde estendo minhas mãos, inutilmente

És toda poesia que nenhum verso há de moldar