sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Falar de Belém é falar bem?

Que linda é minha cidade
O sol quente e a chuva da tarde
O cheiro do patchuli, do cupuaçu
Minha gente alegre e cheia de vida

Mas ao cair da noite, essa noite.
Vejo a realidade vagando como almas
Cruel e vagando pelas praças, ruas e esquinas

A vergonha toma minha cidade
Vergonha descarada, humilhante
Nos seus olhos só vejo desgraça
E a dor espalhando pelo ar
Fedor, exalando como carniça
A miséria como doença mortal

Crianças pedintes, abandonadas
Jogadas em ruas e praças do comércio
Mendigos e animais comem restos
Se amontoam como lixo pelos cantos

Meninas putas na BR, pela noite
Vendem seus corpos por moedas .
Tão crianças e tão maduras pela vida
Seus olhos são mortos...
Em um bar agoniza um porre
Abandono...
Tão normal, já nem se percebe

Agora vejo, onde está a vida da minha cidade?
Meus olhos estão abertos
Tanta imundice descontrolada, fedorenta·.
E quem pode fazer algo?
Quem pode nada faz, têm os olhos fechados·.
Se reúnem em seus prédios, suas prisões, mausoléus·.
Suas bocas abertas, gargalham·.
Gargalham? Da desgraça humilhante?
Fingem que nada sabem
E de nada querem saber
E vão levando suas vidas imundas
Sujeira disfarçada no canal da Doca

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