sexta-feira, 6 de abril de 2012

Escuto um ronco que insiste em meus tímpanos
Talvez seja a turbulência do transito em quilômetros
Talvez seja a barriga que lamenta o vazio
Escuto um som dissipado no ar rarefeito
Bailando por entre as partituras que invadem as ruas

Ouço a melodia e em vão perambulo ao meu encontro
Vagueio levado pelo obscuro do que não vejo
Mas ouço tocar-me os sentidos, falsa sensação
Sou um prodígio destacado em meio à multidão
Sou a esquizofrenia que deturpa a razão

Olhares fitam-me por entre os leques de estrelas
Apontam-me, destroem-me, cultuam-me
Em minha harpa faço bailar constelações
Em meu clarinete a dança das multidões

Trago comigo o Flautista de Hamelin
Para ludibriai-vos meus caros amigos
Sigam-me além do tempo que adormece
Sigam-me para o horizonte que procuro

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cai a chuva e com ela minha agonia
É noite, e por ela vagam todos os desesperados
Mergulhado no caos, torpor premeditado
O céu é trevas, amontoado de fumaça
Noite chuvosa, lamento meus desenganos

Na calma da noite cada um recolhe-se ao seu leito
Pensam na vida e a ela dão todos os seus dias
Não para vivê-la, mas para preenchê-la.

A criatividade noturna é obra do silêncio
Corpos se amam, vítimas do tempo
Alucinógenos...

Vejo um menino que estuda,
Vejo um idoso e sua vitrola
Alguém bebe ao relento
Corpos vendem-se nas sombras

Passam cães e com eles a marca da evolução
A história guardada e mostrada apenas no caninos
Vagam sorrateiros a marcar calçadas
Vivem livremente a uivar para a lua
Enquanto eu
Sozinha..
Escrevo curtos versos melancólicos
Sem métrica
Sem sentido
(...)