quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um corpo em forma de arte
Face abstrata na moldura gélida
No frio do mármore um sorriso eterno
Indiferente ao amor, pura tempestade
De obra orientada sem começo e fim
Habitas no silêncio, solidão preservada
Exposta em horas e olhares que o tempo não vê
Entre afrescos em Arte Nouveau
Observo-te em altar banhado a ouro
Puro valor que a ti não vale nada
Um olhar vago sem pupilas, castidade eterna
És a mais bela que nunca existiu
Terias o sobrenome Claudel?
Serias Monalisa, Pietá ou Vênus de Milo?
Viveu gerações, conquistou Narciso?
Moldou versos na boca de trovadores?
No frio do mármore um sorriso eterno
Banhando a eternidade com seu enígma

sábado, 14 de maio de 2011

Me disfarço em ensaios de cópulas perdidas
Desfaço a imagem tênua que me segue
Por maldizeres neste corpo de aluguel
Remonto momentos, imaginados, de pura luxúria
E em desvaneios sigo noite afora…
Tome-me como um par noturno
Que de tão soturno meus passos se perderam
Tragam-me os escritos
Aqueles mais puros e indescritos
Mostrem-me os versos do poeta vagabundo
Aqueles versos, pobres versos…
Atirados em lenços sob um como de bar
Doce dama a bailar pela noite
Envolta em rendas e puro cetim
E para ti que escrevo minha amada
Um trovador que se oferece a ti

Em salões e catedrais espalho minhas preces
Ao seguir os rastros invisíveis de teus véus
O que fazer se a mim esquece?
Em súplicas levando as mãos aos céus


Não és a Dama das Camélias
Tampouco a dama dos cristais
És aquela que o meu peito clama
Sempre a perguntar: aonde vais?
Sirvo-te esta taça, um cálice partido
Ofereço-te meu sangue, este martírio
No limiar do irreal transcedo ao limite
Um fim desconhecido…
Tome-me pelas mãos breve companheira
Leve-me como quem leva a agonia
Quero um rio, um rio para banhar-me
Lavar o fim, o pouco que me sobra
Mas se a ti, criatura, nada adianta
Subirei os montes que me cercam
E repousarei mais uma vez em sono eterno