segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

De que vale questionar
Se a vida é evolução ou criacionismo
O passado come sozinho humildemente
O tempo é uma barreira
Que todos tendem a atravessar
Um abismo inútil de pressa
Que cobre a mais simples necessidade
A voz dos sonhos
Tirem os gritos, as lágrimas e os fogos
Corram atrás do que quiserem
Sejam pobres devotos
Sejam podres profanos
Mas aceitem o contraposto do que és
Uma parcela de vida e o resto de morte
Habito a essência da existência
Negando a dança corrida do viver
Contemplo pedras que parecem morrer
E o tempo é meu único companheiro
Tão absorto de mim...
Absorvo imagens tênues
Elas fogem, mas fixam-se nas retinas
Meu alimento são palavras
Que inevitavelmente regurgito pelo ar
Em mil versos e gritos mudos
Sou um ser sentimental
Capto o som do alaúde pelo vento
São partituras caídas na calçada
Traço linhas sem coordenação
Que rasgam tantas bocas alegres
Nelas suponho meu instante
E só nele, neste instante
Minha loucura parece ter razão
Horas passam ao balançar de pêndulos
Atirando-me ponteiros como flechas
Sinto-me devota, mas vivo o profano
O tempo me condena a cegueira
O corpo pede calor, a boca pede sabor
Intransponível tempo, tudo em vão
Fantasias que pularam os carnavais
Caem no chão com marcas de sangue
Representações de um lugar passado
Dessa mente sacrificada, ignorada
Descubro a liberdade ser um sonho
Estranhamente vejo meus passos
A sós, seguem uma trilha predestinada
Tenho platéia e risos sarcásticos
Planos desmoronam, idéias erguem-se
Talvez eu viva em um livro
Cercada por letras e paradoxos
Com uma conclusão não definida
Mas um fim já predestinado