quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Paro, um momento, não é raro
Paro estática aos danos do mundo
Levo nas costas a petitência de um corcunda
Não de Notre-dame, mas de meu ser
Estendo as mão e nada tateio além do ar
Nada além de meus frágeis braços a bailar
Nada posso, nada ouço, nada quero
Sinto o cotidiano como um íntimo abominável
Me possui…mas tento repeli-lo

Caminho pelas ruas em passos largos
Não por pressa, mas em fuga da realidade
Esta, circunscrita em lápides esquecidas
Esta, marcada nos olhos vagos que me fitam

Passam corpos a vagar alegremente
Satisfeitos de suas condições subjulgadas
Escravos das feras, alegram-se com o lodo
Real, real..mas vejo que isso ainda é pouco
Gritam como um porco a dormir neste chiqueiro

Talvez meu caminho seja além mar
Utópico em um épico fascinante
Divida Comédia conquistar o inferno de Dante
Mas nada atraveso além da consciência
Que me afoga, me queima, me arruína…
E me deslumbra neste ideal que me fascina

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