Tenho dois olhos estranhos
Chamem-os de tortos ou caolhos
Tenho olhos para olhar os opostos
Um olho marca o ocidente
O outro percorre pelo oriente
Em minha testa linhas de giz
Marcas divididas geograficamente
Meus dois olhos vivem sozinhos
Não precisam do meu cérebro para controlá-los
Um acorda para o dia escaldante
O outro mergulha na noite enebriante
Meus olhos, pobres e repugnantes.
Independentes e presos ao meu rosto
Talvez um par de lentes possa domá-los
E fazer-lhes percorrer uma só visão
Sei que meus olhos são únicos e estranhos
Que poderiam chamar a atenção
Mas o mundo me goza, me aponta
Vou guiá-los como cavalos
Sempre em frente com tampões ao lado
E com lentes encaixá-los nas retinas
Nenhum comentário:
Postar um comentário